banner-blog-1

AMB denuncia UFMT por conceder registro de medicina sem Revalida

REVALIDA 77

08/11/2019

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) foi denunciada pela Associação Médica Brasileira (AMB) por supostamente fornecer revalidação de diplomas de médicos formados no exterior sem a aplicação de prova.

 

O preço variava entre R$ 80 mil e R$ 130 mil, que era pago para agências fazerem o “trâmite”.

 

Segundo a denúncia da AMB, a UFMT faz parte do esquema investigado pela Polícia Federal e que levou à prisão os diretores da Universidade Brasil, no interior de São Paulo, em setembro.

 

A Universidade em Mato Grosso fornecia vagas para um curso de complementação para quem não passava no Revalida, no entanto, ao final das aulas não havia nenhuma prova e os estudantes eram aprovados automaticamente, conseguindo o registro médico para atuar no Brasil.

 

Presidente da AMB, Lincon Ferreira explica que a Associação começou a receber denúncias sobre as “facilidades” aplicadas a estudantes, situação que se intensificou em 2019. […]

 

Agências procuravam os estudantes de medicina na Bolívia, Paraguai e Argentina oferecendo ajuda para quem não conseguia passar na prova do Revalida, teste realizado para médicos formados no exterior poderem atuar no Brasil.

 

Em conversas de universitários registradas pela a AMB, a funcionária de uma dessas agências conversa sobre os valores pagos pela “assessoria”.

 

“O assessoramento para sua transferência é 90 mil reais o qual vc irá pagar somente depois que estiver devidamente matriculado”, além disso, a empresa oferece diferentes formas de pagamento. “Caso vc não tenha o valor para pagar a vista, podem ser feitas condições (…) Aceita-se imóveis como garantia, carro, etc”.

 

O curso de complementação é um mecanismo permitido por lei. A ideia é que estudantes de medicina de outros países possam ter um “reforço” nos conteúdos para poder prestar o Revalida ou outra prova de revalidação do diploma.

 

No entanto, o que foi registrado pela AMB é que bastava o curso de complementação para ganhar o registro. Mas, para entrar nesses cursos era preciso ter uma agência, que cobrava a taxa para o agenciamento que podia chegar a R$ 130 mil.

 

“O curso de complementação não é proibido, o problema é que depois de pago o valor exorbitante, estava resolvido a questão da revalidação. Com essas fraldes, podemos ter analfabetos funcionais com diplomas de médico e atuando no Brasil, atendendo os pacientes, já que não é usado o mecanismo para filtrar os maus profissionais”, alega o presidente da AMB.

 

Para conseguir validar o diploma do exterior no Brasil, é preciso recorrer a uma das universidades públicas credenciadas. Elas aplicam o Revalida e também pode fazer um prova própria nesse processo para os candidatos, porém, nenhuma prova era feita, segundo a AMB.

 

Na oferta dos cursos complementares, a UFMT fez parcerias com universidades privadas, chegando a oferecer 700 vagas em faculdades em Minas Gerais e São Paulo. Em alguns casos essas instituições tinham notas baixas na avaliação do Ministério da Educação (MEC) ou nem mesmo tinha graduação em medicina.

 

“Denunciamos ao MEC em maio e ainda não tivemos resultado. Também encaminhamos a denúncia para a Polícia Federal e o resultado foi a primeira fase da operação Vagotomia, que mostrou parte do esquema”, afirma o presidente da AMB.

 

Outro lado

 

A assessoria de imprensa da UFMT informou que a Faculdade de Medicina realiza o processo de revalidação desde 1986, conforme estabelecido pela legislação. O processo tem 4 etapas: inscrição e entrega de documentos; Revalida; inscrição nos estudos complementares (nos casos dos reprovados no Revalida); e realização de prova dos estudos complementares.

 

Por causa da alta demanda de revalidação, a UFMT alega que é necessário credenciar instituições privadas que tenham curso de medicina reconhecido pelo MEC e em um processo transparente e público

Além desses critérios, a UFMT afirma que adota procedimentos como aprovar o currículo do curso, criação de comisssões de avaliação e visitas nas faculdades para verificar o cumprimento do plano de ensino.

 

Segundo a UFMT, O MEC já aprovou a legalidade dos editais dos cursos de complementação e descredenciou a universidade investigada na Operação Vagotomia e que os valores pagos à UFMT são apenas os que estão previstos no edital e que são previamente aprovados pelos órgãos superiores.

 

Grifo nosso

Fonte: gazetadigital.com.br

Imagem ilustrativa:portal.inep.gov.b

Curta e compartilhe no Facebook